Não passava das oito da manhã quando Weaver passava pela porta de sua casa. Reclamou umas duas ou três vezes pela falta de eficiência do serviçal, que deixara a porta da sua casa infestada daquele gelo maldito, que teimava em obstruir a sua passagem. Weaver era uma pessoa que não estava sujeita a julgamentos. Era limpinha, quieta e quase nunca perturbava ninguém da vizinhança com os seus ínfimos problemas; Diferentemente da sua vizinha, que vivia a se queixar da sexualidade do sobrinho da sua irmã que se mudou a poucos para a sua casa. Weaver, sempre esboçava um sorriso cordialmente falso quando falava com a velha preconceituosa. Afinal, os problemas dos outro, nem de longe era um problema dela. Resmungou duas ou três vezes com a dificuldade que teve para tirar o carro da garagem. A pobre geração do serviçal sofreu todas as injúrias que a boca seca de Weaver conseguiu pronunciar.
Quando enfim chegou a trabalho estacionou o carro em uma das vagas preferências foi direto à sua sala. Lembrou-se de sorrir brevemente para o segurança, que estava na portaria e de pedir, urgentemente, uma boa dose de café bem quente; aquela estagiaria novata que, realmente, não servia para nada. A pobre diaba teria sorte se conseguisse, ali, um emprego de assistente administrativo. Hoje, em especial, ela não queria ser perturbada; sabia que seu dia ia ser extremamente longo. Weaver não queria ser perturbada. Respirou fundo e tirou aquele casaco que aquecia o seu corpo; ali não era necessário usar nada disso; o aquecedor fazia todo o trabalho. Encostou a sua bengala na mesa, o eventual lugar onde ficava, e sentou-se; suas mãos ossudas foram diretamente a gaveta daquela mesa imensa e vitoriana que tomava quase metade da sua sala. Puxou um envelope pardo com a insígnia da agência e tirou alguns papais que jaziam ali dentro.
Seus olhos azuis cintilantes percorreram todos aqueles papeis, e nada viam. Colocou a mão no bolso da jaqueta e retirou os óculos que ali estavam. Amaldiçoou a si mesma por estar tão envelhecida, e começou a examinar, minuciosamente, todos aqueles papeis que, agora, estavam sob a sua mesa. Meneou a cabeça negativamente quando notara que nenhuma daquelas fichas a agradava. Aos seus olhos pareciam um bando de inúteis tentando se dar bem as custas do governo. Amaldiçoou a juventude por ser tão mesquinha e egoísta a ponto de não medir as conseqüências de um ato tão impiedoso. Três batidas... Três batidas seguidas da pronuncia do seu primeiro nome. Seus olhos, viraram imediatamente para a porta de madeira maciça que estava a sua frente; nem ao menos teve tempo de perguntar quem era. Logo viu que se tratava de Robert, um antigo amigo. Robert era careca e baixinho; um tipo de homem que Weaver, certamente, não via atrativo algum.
Mas, o que realmente piorava o seu visual era a barba que ele teimava em usar. Robert era muito mais velho que Weaver; pelo menos era o que a sua aparência identificava. Weaver repudiava a barba de Robert pelo simples fato de ela ser divida em duas cores; Ruivo, pela herança Irlandesa e branca, por parte de velhice. – Hoje é o grande dia, não é verdade Kate!? – disse enquanto levava a sua imensa careca a presença de Weaver, que apenas abanou a cabeça positivamente. Robert era o único ser que se atrevia a usar o primeiro nome de Weaver; e isso era porque ele achava que os dois eram amigos. Kate apenas não negava. – Eu tenho uma coisa pra você. – disse ele se aproximando da mesa e deixando um envelope, também pardo, na mesa de Weaver. Pelo que ela entendia de Robert sabia que ele não iria embora enquanto ela não pegasse aquilo. – Significa algo especial? – perguntou enquanto dava atenção as duas folhas de papel oficio, A4, que se encontravam dentro do envelope.
Certamente! – disse o careca repulsivo sentando-se em cima da mesa de Weaver. – Você não vai encontrar nada melhor. – Weaver olhou por cima dos óculos e encarou a careca do homem que estava a sua frente; que estava exibindo um sorriso inexplicável, diga-se de passagem. – Você perdeu o juízo Robert? – disse enquanto repousava, desinteressada as duas folhas em cima da mesa; junta aquela papelada que ela nunca pretendia ler. – A última coisa que eu quero é gente atrapalhando a minha vida. – Voltou à atenção aos outros papeis que já estavam, outrora, em suas mãos. – Que, aliás, eu tenho até demais. – Olhou de soslaio para Robert, que, seguramente, entendeu a mensagem. Ela havia pensado que depois dessa o homem sairia de uma vez por todas da sua sala, mas, parecia que ela estava enganada. – Mais teimosa que você não há. – disse o homem enquanto colocava a mão dentro do sobretudo marrom que estava usando. – Dê uma olhada nesses arquivos. Tenho certeza que mudara de idéia.
Weaver indignou-se com a prepotência do parceiro que ainda estava ali, exibindo aquele sorriso feio e amarelado que ela tinha. Estendeu a mão e pegou o pequeno Pen Drive das mãos dele e colocou em cima de sua mesa. Depois disso Robert saiu de dentro da sala dela e ela estava livre, mais uma vez, para ler os seus arquivos. Enquanto lia, foi acometida pelo intimo desejo de conferir o que tinha dentro do Pen Drive. Apressou-se a colocá-lo no seu LapTop; Começou a ver todo aquele material que, certamente, a tinham deixado bestificada... Com tudo isso ela sentiu-se na obrigação de fazer uma pequena constatação que nunca esperava fazer na vida. – E não é que aquele filho de uma puta está certo. – Com isso guardou todos os arquivos que estava estudando; a missão agora era outra.
eu já elogiei as porra que você escreve até demais, então, dessa vez, abster-me-ei de fazê-lo. Mas tem uma coisa que eu não posso deixar passar: monstruosamente interessante. E agora, eu e os mortais teremos de ficar esperando pela segunda parte... u_ú
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